A Justiça que não queremos é a que propaga injustiça, aquela que dá a cada um o que é seu, dando ao rico a riqueza e ao pobre mais miséria. Refiro-me não só a justiça praticada pelo Poder Judiciário, mas, também, aquela exercida por nós nos atos cotidianos, a tão sonhada Justiça Social.
Estamos cansados de ver todos os dias cenas nos noticiários sobre a lentidão do Judiciário, como ele age, e a quem ele protege. Nos deparamos com quadros acentuados de desigualdades, de um lado o Brasil que possibilita a existência de um dos 10 homens mais ricos do mundo, e do outro milhões de pessoas vivendo em situção de extrema miséria. E o que isso tem a ver com a Justiça que não queremos?
Tais circunstancias revelam como é difícil falar em justiça em um país tão desigual como o nosso. Em um pais tão reprodutor de práticas corruptas, de desperdícios dos mais variados, justiça significa dar a cada um o que é seu, não seu de direito, mas seu na realidade diária.
Esse modelo de justiça não produz, como consequência, um Poder Judiciário coerente com as nossas demandas diárias. Este que seria o guarda dos direitos coletivos, individuais, sociais, parece muitas vezes afastar o que para a maioria parece o certo, o que deve ser resguardado. É esse sistema de justiça que nos desencoraja a ela recorrer cada vez que nossos direitos são violados.
Para quem a ação do Judiciário demora? Não é em todos os casos que ela é morosa ou misteriosa. Ela é para quem não pode por ela pagar, não falo em suborno, ou seja lá como chamam por aí. Entre os custos da Justiça podemos destacar: advogado e custas processuais, e porque não alimentação e transporte?
A justiça não pode ser cega, e tão pouco enxergar só o que é conveniente a uma das partes; é indispensável a ela a utilização de todos os sentidos. Ela deve ser sensível o suficiente para perceber as desigualdades e diferenças daqueles que recorrem a ela, ou daqueles que por ela são julgados.
Com todo o aspecto de defensora dos direitos e paladina da boa conduta, o calcanhar de Aquiles da justiça é justamente sua interpretação e execução efetuada por seres humanos, os quais estão sempre suscetíveis a influências externas e incorporação de juízos de valor em decisões que só interferem na vida de outrem, e não em suas próprias vidas (algumas vezes...)
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